Sonja Hamad

"Jin - Jiyan - Azadi 
| Women, Life, Freedom The Kurdish Female Freedom Fighters"

Jin - Jiyan - Azadi 
| Women, Life, Freedom The Kurdish Female Freedom Fighters

Cerca de um terço dos combatentes curdos em Rojava (Curdistão ocidental) são mulheres. Sem medo da morte e com uma paixão pela sua pátria, e ainda com o amor pelas suas famílias e pelo povo, estas mulheres reuniram coragem para enfrentar o grupo fortemente armado da Síria, o IS. Uma das suas mais recentes vitórias inclui a reconquista no início deste ano da cidade de Kobane, no norte da Síria frente ao grupo IS, bem como o resgate do povo Yazidi de sofrer genocídio, na cidade de Sindscha. Em casa, elas são aclamadas de heroínas. Devido ao facto do movimento das mulheres libertárias estar profundamente enraizada na ideologia do movimento PKK, existem cerca de 2000 mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 45 anos de idade, que se juntaram ao partido político feminino. O fundador do PKK, Abdullah Öcalan afirmou que "a terra não pode ser livre enquanto as mulheres não forem livres" e que, para ele, a liberdade das mulheres é mais importante do que a liberdade da pátria. A bárbara perseguição que o grupo IS faz às mulheres está sistematicamente e ideologicamente enraizada. O grupo IS defende uma visão mundial ideológica segundo a qual as mulheres são vistas como seres desumanos sem direitos e liberdade. O IS tem sequestrado centenas de mulheres curdas de Yazidi em Sindscha, vendendo-as como escravas sexuais em mercados, violando-as ou até mesmo decapitando-as. É neste contexto que o IS aprova as mais diretas, extremas e rudes formas de patriarcado, sexismo e feudalismo. É este sentimento de desespero que alimenta o espírito de luta destas mulheres e o mune com uma atitude de "não ter nada a perder mas tudo a ganhar". Por este motivo, um grande número de mulheres de todas as idades por todo o Curdistão, sentem-se atraídas a juntar-se à batalha. Enquanto algumas se juntam às Saturday Mothers na parte turca, outras escolhem participar nas forças de guerrilha ou combatentes YPJ, que lutam nas regiões montanhosas do norte da Síria, Curdistão ocidental. Essas mulheres recusam sucumbir à visão patriarcal do papel das mulheres que as trata como objetos, presas nas suas casas, mantendo a honra da família. Poder-se-á dizer, sem exagero, que é possível descrever o atual movimento feminista curdo – visto a partir de uma perspectiva militar, ideológica e organizacional – como o movimento mais forte do mundo em nome dos direitos das mulheres. O YPG/YPY (Unidade de Defesa do Povo) pertence à parte militar do PYD (Partido da União Democrática), que se diz pertencer ao Partido Trabalhador Curdo (PKK). O PKK é formado principalmente por combatentes de guerrilha, com origem das montanhas curdas de Kandil. Para o meu projeto irei focar-me nas mulheres curdas combatentes pela liberdade pertencentes ao YPJ, bem como nos guerrilheiros curdos, e numa série totalmente dedicada a eles, estará documentado o seu esforço, e assim produzido o primeiro trabalho deste género. Este trabalho documental é criado com uma câmara analógica, médio formato 6 x 7 com cor. O meu foco como fotógrafa estará nos retratos, bem como nas paisagens urbanas, documentando as condições de vida das mulheres e dos locais de conflito. Partindo do princípio que eu própria sou uma curda nascida na Síria, tem sido fácil para mim estabelecer fortes relações com as mulheres combatentes. É o nosso passado cultural comum que me permite reunir ideias nunca antes abordadas e impressões das condições de vida destas mulheres, que eu procuro expressar no meu trabalho e através dele. Por último, mas não menos importante, está o meu esforço pessoal para oferecer um diálogo diferenciado e aberto sobre as mulheres curdas combatentes pela liberdade e os seus estilos de vida, em todas as suas complexidades e individualidades.

Sonja Hamad

A fotógrafa documental Sonja Hamad nasceu em 1986 em Damasco, na Síria, e os seus pais são de origem curda Yazidi. Aos três anos de idade, a família mudou-se para a Alemanha, devido a razões políticas. A sua família mudou-se para uma pequena cidade na Renânia do Norte-Vestfália, onde Sonja viveu até terminar a escola. Nos dois anos seguintes, trabalhou como assistente criativa para um fotógrafo comercial em Hamburgo.
Sonja estudou fotografia na Ostkreuzschule em Berlim, de 2009 a 2013, e graduou-se com o projeto retratista "Ankommt de drauf do Wenn" ("Quando isso conta").
Por causa da guerra, ela ficou impossibilitada de viajar para a Síria onde queria fazer uma investigação para seu projeto seguinte. Como resultado, continuou a trabalhar na Alemanha. A pesquisa e o rastreamento de identidade entre ser estrangeiro e ser pertencente, conduziram a retratos de membros da família, amigos e estranhos. Durante este projeto, a busca da identidade cultural tornou-se um assunto de interesse pessoal e íntimo para Sonja, em vez de ser considerado fundamentalmente político. Em 2013 iniciou o projeto "Jin, Jian, Azadi – Frauen, Leben, Die Freiheit – die kurdischen Freiheitskämpferinnen" ("Jin, Jian, Azadi – mulheres, vida, liberdade – mulheres curdas combatentes pela liberdade"), que se destinava a ser explicitamente político. Com base em contactos decorrentes do seu projeto retratista, e através de uma bolsa de estudos do VG Bildkunst, ela foi capaz de desempenhar o seu trabalho documental no norte do Iraque em março de 2015, que foi seguido por uma viagem às Unidades de Proteção às Mulheres Curdas (YPJ) no norte da Síria, local onde voltou para uma segunda estadia em setembro de 2015. O projecto, que ainda está em curso, implicará uma terceira viagem a meio de outubro de 2016.
Sonja Hamad vive e trabalha em Berlim, onde também é fotógrafa freelance para uma variedade de revistas de alta qualidade e para vários clientes privados e profissionais.

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