Viviane Sassen

"Lexicon"

Lexicon

“Lexicon” inclui imagens das tão aclamadas publicações de Sassen, Flamboya (2008) e Parasomnia (2011), para além de algumas outras fotografias mais antigas e que ainda não tinham sido publicadas. Especificamente para esta instalação, as fotografias foram todas impressas no mesmo tamanho, 30 x 42cm, como 'cartões de ajuda' para uma compreensão do discurso da artista.
Sassen descreve a lógica da apresentação como "uma espécie de caos ordenado”. Nunca trabalhei com séries, prefiro construir coleções de imagens relacionadas. Se combinarmos fotografias de uma forma particular, podemos contar histórias que vão mais além do que uma imagem isolada.” Os homens e mulheres das suas fotografias são de certa forma também eles, combinações de imagens; eles são mais composições do que indivíduos. 
Sassen não é uma retratista, como ela explica “Eu não mostro a cara porque eu não quero que o trabalho seja sobre a pessoa presente no retrato. O que estou a tentar captar ou produzir é uma imagem arquetípica, uma imagem que vai para além da descrição das especificidades fisionómicas e físicas de um indivíduo. Procuro oferecer um trabalho com uma dimensão universal, mais abstrato, mais sobre a humanidade."
No seu ensaio publicado em Flamboya, Edo Dijksrterhuis escreve que é possível discernir um tríptico de arquétipos na obra de Sassen. Estes temas e composições estão presentes em “Lexicon”: o sujeito sem rosto; a figura no chão; fusão de figuras que se transformam em uma só. Outro elemento recorrente é a surreal natureza morta, subvertendo as nossas perceções sobre a natureza, e sobre objetos e situações do quotidiano. 
Sassen não descreve ou explica; ela sugere, convidando o espetador a entrar numa experiência alternativa de realidade. Revendo a exposição do Museu de Arte Moderna da Nova Fotografia, um crítico do New York Times escreveu que as suas imagens "transmitem o quão estranhamente vívido e tentadoramente triste o mundo pode parecer a uma mente e a uns olhos despojados dos habituais filtros de percepção". As suas fotografias perturbam constantemente o nosso senso de realidade, já que umas são cuidadosamente produzidas, enquanto outras são cenas acidentais com que ela se depara nas suas viagens, deixando-nos na incerteza de quais são ficções imaginárias e quais são cenas da vida real. A sua sublime linguagem visual é articulada por uma profunda consciência das preocupações formalistas da pintura, escultura e fotografia, bem como, por um acentuado sentido de cor e das ressonâncias óticas de padrão e design.
Sassen suscita curiosidades nas sua fotos: uma mulher deitada, envolvida por um lençol branco; duas figuras de jovens abraçados sobre uma folha de bananeira; um homem envolto por uma rede de pesca verde; uma silhueta flutuando numa água leitosa. Aqui o corpo é a escultura; os rostos são velados pela tela ou folhas; as formas são cortadas, e as silhuetas confrontadas com a natureza e cortadas de maneira a formar objetos misteriosos. A tinta é usada para transformar os sujeitos, lançando-os em papéis teatrais. Manipular e moldar o corpo, sobrepondo os membros, tecelagem de cabelo e fusão de troncos: A linguagem visual emotiva de Sassen cria esculturas bidimensionais. 
A artista passou a sua infância na África Oriental. Ela descreve que, quando a sua família voltou para a Holanda, ela sentiu-se como uma estrangeira na sua terra natal, mas sabia que também tinha sido uma estrangeira em África. As suas imagens estão em sintonia com estes sentimentos de deslocamento entre casa e fora de casa, dia e noite, vida e sonhos.
"Tanto quanto me recordo, senti-me bastante próxima de África. Provavelmente, devido ao facto de ter vivido com a minha família no Quénia quando era criança. No entanto, esta experiência de proximidade gerou também sentimentos contraditórios. Ao sentir-me parte deste mundo, tenho também consciência de que nunca serei realmente parte dele. Logo no início, eu percebi que seria para sempre uma estranha. Tento representar essa ambiguidade no meu trabalho. Sentimo-nos perto mas ao mesmo tempo distantes. E isso é algo que está normalmente ausente nas representações ocidentais tradicionais de África, que refletem claramente a interpretação e a visão dos ocidentais. Eu tento colocar isso em dúvida, mas ao mesmo tempo também eu, sou essa pessoa Ocidental, e dessa forma não me consigo libertar totalmente desse contexto cultural. Mas penso que ter dúvidas é sempre bom.”
Ela acrescenta "Se olhares o mundo como um ser humano, África seria a sombra em que muita gente projeta os seus medos, anseios, e sexualidade. É algo que a África não consegue evitar. É-lhe imposta que assim seja. O jogo de sombras permite múltiplas interpretações. Você pode lê-los em níveis diferentes.”
Deve-se sempre ser capaz de julgar uma fotografia por diferentes motivos – motivos políticos, sociais, emocionais, mas também pessoais. Nos últimos anos Sassen viajou para a África do Sul, Zâmbia, Quénia, Uganda, Tanzânia, Gana e Senegal, onde trabalhou com colaboradores, conhecidos e amigos. "É muito importante estabelecer uma relação com a pessoa que estou a fotografar", diz ela. "Faço muitas vezes pequenos esboços ou desenhos, que lhes mostro. Depois falamos sobre a ideia ou o conceito da imagem que eu quero produzir.”

"Para mim é importante ter uma ideia geral sobre a imagem. É claro que as coisas devem acontecer naturalmente também. São aquelas pequenas coisas inesperadas que fazem uma imagem tornar-se interessante. Ultimamente, o meu trabalho é muito mais sobre o olhar do espectador e sobre a minha própria perspetiva, do que sobre a tentativa de expressar alguma verdade sobre o sujeito fotografado..."

Viviane Sassen

Sassen nasceu em 1972 em Amesterdão, onde continua a viver. Estudou design de moda, seguido de fotografia na Escola das Artes de Utrecht (HKU) e nos Ateliers Arnhem.
Uma retrospetiva de 17 anos de seu trabalho de moda: In and Out of Fashion, que foi exibida no Museu de Fotografia Huis Marseille, Amesterdão, em 2012, e de seguida viajou para o festival Rencontres d'Arles, e para Scottish National Portrait Gallery, Savannah College of Art e Design, Fotografie Forum Frankfurt e Fotomuseum Winterthur.
Participou recentemente em exposições a solo em Hordaland Kunstsenter, Bergen; Atelier Néerlandais, Paris; The Photographers’ Gallery, Londres; ICA, Londres; e Nederlands Fotomuseum, Roterdão. O trabalho de Sassen foi incluído na exposição principal da 55ª Bienal de Veneza, The Encyclopedic Palace, em 2013. Outras exibições coletivas notáveis incluem New Photography no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (2011); No Fashion, Please! Fotografia sobre o género e o estilo de vida no Viena Kunsthalle (2011); Figure and Ground: Dynamic Landscape no Museu de Arte Contemporânea Canadiana em Toronto, como parte do Contact Photography Festival (2011); e Six Yards: Guaranteed Dutch Design no Museu Moderne Kunst Arnhem (2012).
Sassen foi premiada com o prémio de arte holandesa (Dutch Art Prize), o prémio de Roma (Prix de Rome), em 2007, e em 2011 ganhou o International Center of Photography, pertencente ao prémio New York's Infinity Award na categoria de prática/moda/publicidade em fotografia. Em 2015, recebeu a medalha David Octavius Hill Medal da Academia Alemã de Fotografia, e foi nomeada para o prémio de fotografia Deutsche Börse Photography Prize pela sua exposição Umbra. Recebeu também inúmeros prémios pelas suas publicações.

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