Após o terramoto de Aquila em Itália, a 6 de Abril 2009 ? e após, sobretudo, aos propósitos odiosos ao Sílvio Berlusconi ? António Catarino sentiu a necessidade de ir ver de que se falava. Não que ele tivesse dúvida da amplitude da catástrofe e do desespero da população. Ainda menos por ?voyeurismo? Ele não transpôs as marcas do perímetro reservado à intervenção da urgência e às operações da polícia. Mas de preferência para voltar à verdade dos factos e pôr à prova o seu olhar de fotógrafo, habituado a escutar e a recortar o real, sobre uma situação de catástrofe muito mediatizada onde os imperativos da imprensa escrita ou televisiva privilegiaram o sensacional e a emoção em detrimento da visão reflectida. Antes de tudo tratava-se de agarrar os factos dentro da sua nudez ou pelo menos dos seus rastos materiais. Assim, quando emerge dos escombros um painel publicitário onde correm, como sobre um friso moderno, algumas personagens estilizadas, pensamos nos frescos das vilas de Pompeia milagrosamente preservadas. Esta perspectiva do acontecimento pela História, numa duma civilização que super valoriza o presente, o comentário ?berluscónico? torna-se ainda mais intolerável.