2011 Edition

Stephane C.

"They never adopted the name for themselves"

They never adopted the name for themselves

O fotógrafo Stéphane C. revela na sua série "They never adopted the name for themselves" um trabalho enigmático do qual se compreende rapidamente que se afasta do campo do documentário comum e que deve entender-se como uma pesquisa pessoal, expressionista e poética, em que a técnica pictórica (fotografias analógicas vibrantes, a preto e branco fortemente contrastadas, grão à vontade…) dá origem a imagens que se assemelham quase a pinturas, mais evocativas do que demonstrativas. As referências são evitadas, o local e o tempo não identificáveis. A combinação das imagens vai revelando a pouco e pouco algo que parece ser um combate espiritual e interior, anímico, fruto de uma dualidade e ambiguidade que o artista reivindica como gerais, presentes na essência de todas as coisas. Brechas de luz irradiantes, respirações de êxtase e instantes de graça, opõem-se a vibrações negras, animais, violentas. Portanto, um braço de ferro interior, próprio da condição humana, do nascimento à morte, o todo num espaço, num mundo que parece perder o seu controlo. Tal como é enunciado por meio de clichés simbólicos, o do homem de Giacometti caminhando curvado e vacilante em direcção ao precipício, a escadaria em ruínas de um edifício, o do personagem agarrado a uma slot-machine diante de um poster gigante da terra, ou ainda a publicidade "Coming soon very sad"...

 

In between é um dos títulos da série fotográfica de Stéphane C., como uma entrada num mundo equívoco. Pode adivinhar-se que essa série não tem início nem fim. Stéphane C. entregou-se ao gesto obcecado de fotografar. E pouco importa onde se encontra e o que faz. O essencial é retirar às coisas o seu véu de incerteza. Como se o somatório das aparências apenas conferisse ao mundo uma visão parcelar e indefinida. Sempre vibrante, viva. Estas imagens não desvendam um outro mundo - trata-se mesmo do nosso - mas o fotógrafo, com uma sinceridade comovente, procura remover-lhe as feridas e os desgostos. Uma tentativa exacerbada de fazer coexistir num plano fotográfico o real e o seu duplo, como se pretendesse levar o dia a entrar dentro da noite.

 

Amaury Da Cunha

Local da Exposição

Museu da Imagem

O Museu da Imagem é um espaço cultural dedicado exclusivamente à fotografia. Produzir e exibir regularmente trabalhos fotográficos é o seu objecto, que associa à recuperação...

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