2011 Edition

  • APRESENTAÇÃO

    Nascida oficialmente em 1839, podemos afirmar que toda a fotografia é documental na medida em que cada imagem gera um registo informativo independentemente da intencionalidade da captação e do território onde se possa inscrever. Ao longo da sua história (técnica e estética) os territórios foram-se definindo à medida dos interesses dos praticantes e, fundamentalmente, do mercado.

    A especificidade do documentalismo social fotográfico situa-se nos finais do século XIX através dos projectos realizados por Thomas Annan (1829-1887), em Glasgow, ou Arnold Genthe (1869-1942), em Nova Iorque, ou, já no início do século XX, com Jacob August Riis (1849-1914) e Lewis Hine que documentam as duras condições de trabalho dos emigrantes e o trabalho infantil.

    A fotografia torna-se então uma reconhecida ferramenta de denúncia de injustiças sociais e importante auxiliar da sociologia emergente. Aqueles olhares evoluem para composições mais ao estilo humanista no período entre guerras, para se afirmarem de forma mais consistente no final da II Guerra, particularmente na Europa. Fora da Europa, e no âmbito desta representação fotográfica, podemos distinguir outros momentos que consideramos emblemáticos: os trabalhos produzidos para a FSA na segunda metade dos anos 30 e que documentam a aplicação do programa do "New Deal" nos EUA ou o projecto da Photo League no mesmo período e que encerra uma linguagem mais urbana; a criação, em 1947, da Agência Magnum; ou ainda, as reportagens da revista Life.

    Separado por uma ténue fronteira, o documentalismo fotográfico distingue-se do fotojornalismo pelo seu carácter de maior investigação, pelo conteúdo narrativo e por uma maior coerência do discurso visual. Assim, numa época em que se produzem diariamente milhões de imagens, acreditamos ter toda a pertinência o destaque para esta temática, de forma a conduzir o público a melhor reflectir em torno do quotidiano que nos rodeia. Não pretendemos apresentar os grandes temas das manchetes jornalísticas (a guerra, a fome, os desastres ecológicos) mas um retrato social próximo de cada cidadão.

  • Tendo como crença a eficácia da fotografia em torno do social, a linha programática procurou alicerçar-se nalguns pressupostos que consideramos relevantes: o cruzamento entre autores europeus e de geografias exteriores à Europa; no âmbito europeu demonstrar as diversidades de comportamentos norte-sul e leste-ocidente. A inclusão de do maior colectivo de fotógrafos nacionais, concorre também para evidenciar a importância dos projectos de grupo numa sociedade cada vez mais individualizada e da possibilidade de se potencializar redes de trabalho.

    Finalmente, e estritamente do ponto de vista estético, a selecção de autores e respectivos projectos garantem-nos um espectro alargado de olhares sobre o mundo contemporâneo que potencializam um conjunto de acções e actividades educativas.

    HISTORIAL

    A primeira edição do Festival Encontros da Imagem surgiu em 1987. Na época, o panorama fotográfico nacional era bastante restrito com um reduzido número de autores e exposições. Por outro lado, o ensino e a reflexão em torno do médium fotográfico eram igualmente escassos. Assim, os fundadores do festival procuraram preencher essas lacunas, apresentando em Braga alguns autores clássicos, fundamentais ao conhecimento e compreensão da História da Fotografia, ao mesmo que se davam a conhecer nomes essenciais da contemporaneidade. Paulatinamente, a associação foi alargando os seus objectivos, que hoje poderemos sintetizar em três grandes linhas: divulgação, formação e animação sócio-cultural.

    O FESTIVAL

    O Festival Encontros da Imagem pretende confrontar e reflectir em torno das actuais propostas temáticas da fotografia: desde os conteúdos documentais, essências ao registo e compreensão do tempo presente, até aos que exploram e incorporam de forma criativa as novas tecnologias da imagem.Paralelamente às exposições apresentadas os EI esforçam-se por representarem uma plataforma de promoção de autores menos conhecidos através da leitura crítica de portfólios – Emergentes | DST.Conscientes da importância de atingir maiores audiências, são igualmente programadas actividades para o grande público, dentro de padrões lúdicos e pedagógicos: concursos, projecções, actividades formativas.

Apoios Institucionais

Braga UM DGArtes GovernoPortugal