Edição de 2012

Vários Artistas

"Facing Youth"

Facing Youth

O projeto “Facing Youth” pretende traçar uma panorâmica possível da juventude europeia.
Mas do que falamos quando falamos de juventude? Que significa esse conceito? De acordo com os especialistas e do ponto de vista etário, é o período que medeia entre os 12 e os 20 anos. Contudo, nas sociedades ocidentais, pode-se alargar até aos 30 anos, em virtude da separação do seio familiar e independência económica, entre outros fatores. Será, pois, naquela fase transitória que se constrói um momento determinante da afirmação do “eu” e na qual emergem as primeiras opiniões pessoais, as primeiras dúvidas, mas, simultaneamente o desejo de afirmação. É um período em que se processa o desenvolvimento físico e mental, aberto a novas aprendizagens, pelo que importa estimular hábitos de práticas culturais, desde a leitura, interpretação, até ao desenvolvimento de um sentido crítico e participativo na sociedade.
Esse período vivencial edifica-se, essencialmente, na esfera do simbólico e do ideológico e recorre à apropriação de símbolos, de significados e ideias estimuladas hoje, de forma mais assertiva, pelo crescimento das redes sociais, pelo mercado da publicidade e outros meios de comunicação global.
O jovem é um sujeito incompleto e imaturo, em mudança e, como tal, propenso a assimilar cultura.
A juventude é também uma fase de sonho, de idealismo, em que se geram as primeiras utopias, o desejo de mudar o mundo. O jovem exala a força da natureza, uma vontade combativa, irreverente por vezes, mas também é permissivo a absorver certos valores. Este é o momento dos grandes desafios, de um imenso desejo de liberdade, da vontade de correr riscos.
Foi no âmbito deste quadro sinóptico que inventaria as características essenciais do que é ser jovem que estabelecemos a narrativa que corporiza o projeto “Facing Youth”.
A narrativa tem início com a obra de Mário Castro, que nos remete para o universo da astrologia onde cada retrato ou cada gesto são, simultaneamente, “um sinal da epopeia vital de cada indivíduo”.
Na continuidade da representação do jovem, salienta-se a ambiguidade da fotografia através das obras de Michi Suzuki e Julia Peirone. Tanto podem ser imagens de incerteza, como de esperança no futuro. A primeira, pretende ilustrar a atual sociedade italiana podendo, no entanto, expandir-se a outras sociedades ocidentais; na segunda, encontramos raparigas na fronteira da adolescência com a juventude, onde Peirone explora a psicologia da câmara fotográfica entre o fotógrafo e o fotografado.
Após três tipologias distintas de retratos, passamos então a vivências tradicionais do quotidiano onde sobressaem a interação, o crescimento, o desejo de independência. Thomas Chable, Mafalda Rakos e Patryk Karbowski são os autores deste capítulo, no qual Mafalda participa das ações dos seus pares, já que integra a mesma faixa etária e onde afirma/questiona: “Viver o momento, questionar o futuro, ser estúpido, ser livre, viver ainda com os pais, mas já a pensar sair de casa. Que está a acontecer e que acontecerá a seguir?” Surgem então os grupos, as tribos, a multiculturalidade, as aparências. Anna Psaroudakis dá-nos conta do encontro de culturas em Atenas, cidade de referência no que toca às raízes da civilização helénica. Nessa viagem civilizacional somos transportados para o norte, onde Aki-Pekka nos revela o que pode significar ser jovem, através da série Finnish Teens. Julien Becker e Soraya Hocine dão-nos conta de alguns grupos juvenis particulares, sendo que Hocine constrói um corpo de trabalho desenvolvido ao longo de vários anos em que acompanha aquele grupo, conferindo uma particular consistência à sua obra. Num registo próximo, Marion Poussier transporta-nos às suas memórias de adolescente ao documentar os campos de férias juvenis. Nesse ambiente de descontração e lazer encontramos as imagens de Marco Rigamonti captadas na “Promenade des Anglais” em Nice.
Num olhar distinto, Anna Skladmann explora as rápidas mudanças operadas na Rússia após a queda do regime soviético, apresentando-nos um conjunto de jovens criados numa época de caos e liberdade. A fim de quebrarmos o ritmo expositivo, retornamos às possibilidades do retrato nas obras de Jorge Fuembuena e Katarina Hruskova. São imagens de conotação mais psicológica, que estabelecem a relação entre o indivíduo e a sua imagem, entre o ser e o parecer, entre a presença e a ausência. As séries seguintes, da autoria de Raimond Wouda e Vesselina Nikolaeva mostram-nos os jovens em ambiente escolar. O primeiro aproveita os momentos de lazer entre aulas para nos dar conta da formação de grupos, do modo de vestir e pentear. Por seu lado, Nikolaeva revela o apagamento dos estereótipos da sociedade Búlgara da geração pós Guerra-Fria.
Passamos então ao espaço interior, ao espaço de encontro pessoal do jovem onde se geram dúvidas e certezas. Os retratos de Kamila Kobierzyrinska revelam-nos tipos específicos, outsiders tranquilos, selecionados em nichos particulares, vivendo a sua vida de forma peculiar.
O período juvenil é também, como já se disse, um momento de irreverência onde se tangencia a marginalidade e a infração. A sua forma de manifestação pode ser diversa. Desde as claques desportivas, registadas por Yiannos Demetriou, passando por uma visão mais poética dos comportamentos na obra de Sauli Sirviö, até aos comportamentos de transgressão no palco dos rituais da noite nas obras de Ewen Spencer e Maciej Dakowicz.
A sociedade atual é uma sociedade em mudança onde o desemprego constitui um fantasma real, que paira em muitos países. Os trabalhos de Donatas Stankevicius e Paul Corcoran dão-nos conta dessa realidade. Donatas capta um olhar de desalento, de frustração, enquanto Corcoran regista uma mirada de incerteza em relação ao futuro, reforçada pela representação de espaços de trabalho abandonados.
Finalmente, Zoe Vicenti revela-nos um conjunto de retratos realizado 20 dias após o terramoto de Fukushima. O desastre nuclear serve de mote à interrogação sobre o futuro. Não sendo já crianças, não eram ainda adolescentes que pousaram numa expressão de dúvida, mas simultaneamente com um olhar de esperança.
Quando somos crianças, temos o desejo de rapidamente chegar à juventude; quando mais velhos, temos a ilusão de nos manter jovens. Apesar do avanço da idade, seremos sempre jovens. O essencial é manter essa determinação.

Rui Prata, agosto de 2012.

Local da Exposição

Mosteiro de Tibães

O Mosteiro de São Martinho de Tibães, antiga Casa Mãe da Congregação Beneditina portuguesa, foi adquirido pelo Estado Português em 1986 e afecto ao Instituto Português do...

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