Edição de 2012

Dorothée Smith

"Hear us marching up slowly"

Hear us marching up slowly

Dorothée Smith não concebe um mistério: a sua abordagem do visível, simultaneamente luminista e sombria, é válida como imagem da incerteza dos papéis sexuais. A questão do género, tema filosófico de há mais de vinte anos ocupa um lugar não negligenciável na elaboração intelectual da sua obra. No seu mundo por vezes atravessado por certa violência, rostos de uma indizível doçura, olhares perdidos, corpos oferecidos em miragens de uma cálida intimidade, calor sublimado do gelo, em respiração, e horizontes sem vida, são polarizados como auroras magnéticas, pelo novo desafio lançado à separação dos sexos, pelo mundo atual. Neste caso trata-se menos de metáforas que de metamorfoses. O torpor, ora voluptuoso, ora inquietante, parece estender-se a todo o universo, apontando para um mundo umas vezes edénico, outras afetado pela frieza do desencanto. Encontramo-nos no coração de uma dissonância pós-moderna, ou mais precisamente hipermoderna, visto que cada desejo de emancipação é um desejo de «modernidade». Sem dúvida que estas obras apresentam evidentes valências políticas: a da identidade de género como constrangimento imposto pela condição biológica do "sexo" (ser homem ou mulher); a de um ideal de plena adesão a si mesmo, capaz de se sobrepor a essa escravidão por meio de outra afirmação (sentir-se homem ou mulher). Mas este movimento de assunção parece fazer-se acompanhar de uma sombra existencial. Para o nosso conceito de consciência não deverá cada um de nós ser aos seus olhos, parcialmente desconhecido ? Preso à sua autoafirmação, não ficará o indivíduo precisamente exposto à nostalgia da distância a si mesmo? E aqueles ou aquelas que se afastam da norma farão mais do que colocar de forma mais crítica que os outros a questão do ser e da apreensão do eu por si mesmos, que se aplica à condição humana em geral ?

Arnaud Claass, Löyly & Sub Limis, monographie, Éditions du Château d'Eau, 2011.

Local da Exposição

Museu Nogueira da Silva

O Museu Nogueira da Silva deve a sua fundação ao legado, feito em Setembro de 1975, a favor da Universidade do Minho pelo Senhor António Augusto Nogueira da Silva....

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Horário

Terça a Sexta | Tuesday to Friday | 10h00—12h00 e 14h00—18h30 Sábado | Saturday 14h00—18h30

Encerram Sábados de manhã, Domingos e Segundas.

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