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"Contra o Esquecimento"

Contra o Esquecimento

Numa época em que se alcançou uma democraticidade na fabricação da imagem nunca antes conhecida, donde resulta uma enorme euforia na construção e publicação de imagens, consideramos pertinente uma reflexão em torno da Memória enquanto produção de conhecimento. Para sublinhar a importância que o documentalismo fotográfico encerra na preservação na nossa memória coletiva, homenageia-se ambos os Encontros [ da Imagem e de Agosto ] aqui envolvidos, na celebração dessa memória. "Contra o esquecimento” é um despertar para o VER , cuja dimensão se abre igulamente ao domínio do sensível a preencher-se pelo sublime toque da passagem do tempo, e da sua eternidade Desta mostra resulta uma multiplicidade de olhares, que perscrutam um momento de viragem quase marginal do país. Neste género da Fotografia, o espetador mais atento apercebe-se não apenas da presença da realidade fotografada, mas sobretudo da presença da própria fotografia, que é o principal artefato de constituição do real. Do discurso franco dos retratos serenos de Nelson D´Aires em “Álbum de Família”, passando pelas representações da paisagem afetiva, de Tito Mouraz produz-se um painel sociológico que ilustra as vicissitudes do momento. O quotidiano altera-se também consoante as culturas e para exemplificar as experiências vivenciais, revela-se a melancolia e a intimidade das paisagens de Martim Ramos. As imagens pictóricas do video “Quid pro quo” de Carla Cabanas, procuram enfatizar a essência única da memória, através de uma estética construída e plástica. Jogando numa espécie de ausência da imagem, a autora, conduz a um questionamento do observador sobre espaços que trazem consigo memórias. Através de uma fratura discursiva e conceptual, esta confronta o olhar do espetador com consequências decorrentes do vazio. Já Ana Janeiro constrói nas “Histórias da Índia” um discurso onde impera a intemporalidade. Ofuscadas pela nostalgia de fragmentos de cartas e retratos de família, as fotografias impõem um atrativo dramatismo idílico de auto-representação, numa perspetiva dramática e envolta no atual manto sócio-cultural. Jordi Burch, por seu lado, entra na desconstrução da memória como invenção burocrática plena de regras e procedimentos. Deslizando para outros quadrantes, nomeadamente aqueles cujas memórias de outros autores sobressaem, apresenta-se o “Diário da República” do Coletivo KameraPhoto, que documenta de forma incisiva o dia a dia de Portugal, provocando um mapeamento e registo das vivências e transformações da cultura e da paisagem. Neste recorte está o acervo de Portugal visto deste lado e também de fora, tendo incorporada uma bússola da perspetiva que se tem de um Portugal “ainda à espera”. Acreditamos que cada projeto nos permite uma visão abrangente da sociedade atual, contribuindo igualmente para um retrato sociológico de grande riqueza e uma reflexão em torno das vivências do momento. Nesta mostra sentimos o redimensionar do tempo tornado em memória em que o passado convive a par com o futuro. Nos intervalos, os autores correm o mundo para ali se acharem nas mais longas revelações.Tanto do que vive vale pelo que sente e pelo que nos faz sentir. Os fotógrafos param nestas memórias, mas caminham à espera de mais mundo. Ter uma terra é isso: é ter um lugar de plantio e de colheita do que se não esquece, tudo mais, por mais belo que possa ser, é uma passagem, é um desaparecimento. Ângela Ferreira Diretora dos Encontros da Imagem

Local da Exposição

Teatro Gil Vicente

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