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"She loves me, she loves me not"

She loves me, she loves me not

She loves, she loves me not A narrativa da exposição “She loves, she loves me not” procura, dentro do vasto espectro que contém as relações amorosas e familiares, mapear algumas das vivências essenciais desses relacionamentos. Não caímos na vã tentação de definir o amor, infinitamente cantado na poesia, descrito na prosa e refletido na filosofia. No que respeita à família não existe consenso quanto à origem da palavra, nem à sua definição. Na wikipédia encontramos como significado, “um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais”. Parece-nos ser uma significação bastante abrangente e satisfatória no quadro das mutações da família contemporânea, contrariamente à definição sugerida por Claude Lévi-Strauss. Aquele antropólogo francês sugere que “a família nasce a partir do momento em que haja casamento, passando portanto a haver conjugues e filhos da união destes”. No nosso entender é um significado ultrapassado na medida em que o casamento, embora constitua um sacramento na maioria das culturas, e onde podemos incluir outros rituais de acasalamento, não representa mais a exclusividade da génese dos laços familiares. Com a evolução da sociedade atual, foram-se gerando novas configurações familiares. É verdade que as famílias monoparentais resultam maioritariamente da rutura de um casamento, mas também surgem da possibilidade da mulher gerar um filho de forma independente. Igualmente, a família arco-íris, constituída por um casal homossexual e que possui uma ou mais crianças a seu cargo, não passa necessariamente pelo casamento. Existe o estereótipo da família feliz, que coabita em harmonia, mas também existe a família disfuncional, ou aquela onde, por razões diversas, se geram ódios. Situações de disfuncionalidade são inúmeras mas não resistimos a recordar a mitologia grega na figura de Erígone, filha de Egisto e Clitemnestra. Reza a lenda que, após Agamémnon ter ido para Troia, Clitemnestra, sua esposa, se torna amante de Egisto. Quando Agamémnon regressa, Egisto e Clitemnestra assassinam-no e depois casam-se. Os filhos de Agamémnon e Clitemnestra, Electra e Orestes, decidem vingar o pai e recuperar o reino, o que os leva a assassinar Egisto e a própria mãe. Mas o horror vai mais longe, quando Orestes viola a meia-irmã, a bela Erígone, por quem acaba por se apaixonar. Assim, acreditamos de facto que no seio familiar, seja ele qual for, o denominador comum assenta, efetivamente, numa estrutura funcional que gere a interação de cada um dos seus membros. O corpo da narrativa que criámos inicia-se com o vídeo “Divorce” onde a autora, Mireille Loup, provida de particular talento para o teatro, incarna um quadro de diversas mulheres quarentonas que, sozinhas, educam os seus filhos. A obra fotográfica inicia-te então com “Us alone” de Laura Stevens. Ali, podemos observar um conjunto de casais em momento de grande tensão, de olhar distante, de dificuldade relacional, em que a suspensão do tempo deixa o observador na incerteza do desfecho final. Somos então encaminhados para as salas de atos de diversos cartórios, registados por Jorge Miguel Gonçalves. Estes espaços onde, entre outros, têm lugar casamentos e divórcios, remetem-nos para a ideia de rutura, situação que é reforçada pelo trabalho “If you get married again, will you still love me?” de Sharon Boothroyd, onde se observam os danos colaterais dum final de casamento em que os respetivos filhos questionam a continuidade do amor dos pais. De seguida cria-se um pico de intensidade emocional através do confronto entre os trabalhos de Alena Zhandarova e Jonahan Togovnick. O primeiro, revestido de uma roupagem idílica, intitula-se City of Brides, alcunha da cidade Ivanovo, localizada no centro da Rússia e que é um importante centro têxtil; já o segundo envia-nos para um quadro de violência no qual a família monoparental resulta da violação de mulheres no Ruanda. A maternidade é-nos apresentada de forma terna e objetiva através da obra de Jana Romanova, que pernoita em casa de casais cuja mulher está grávida, para, pela manhã, lhes roubar o momento. A série de Romanova opõem-se à de Zuzana Halanova, onde descobrimos um conjunto de mulheres que, por razões várias, não cumpriram os seus anseios de maternidade. O percurso introduz, então, o ambiente de uma nova relação. Através do olhar de Bela Doka observamos uma espécie de enamoramento, para de seguida pousarmos o olhar em tradicionais famílias de classe média que desfrutam do seu lazer numa estância de férias, através da obra de Anna Fox. Finalmente, surge o amor de forma mais evidente e distinta. O amor de casais idosos que exalam uma união harmoniosa e cuja natureza, em fundo, parece querer alcançar a imortalidade. Por seu lado Emer Gilespie, na sua série “Picture me, Picture you”, estabelece uma relação lúdica e pedagógica com a sua filha, onde o amor é uma evidência. Estamos conscientes de existirem muitas outras possibilidades de mapeamento das relações amorosas e familiares. Contudo, acreditamos que através desta narrativa se alcança matéria suficiente para discussão e reflexão em torno da temática eleita pelo festival: “Love will tear us apart”. Rui Prata, Agosto 2013.

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