Helena Gonçalves

"Espaço Ginjal"

Espaço Ginjal

O Sublime, tal como o Belo, enquanto categoria estética, tem sido alvo de inúmeras definições consoante os tempos e as circunstâncias. Para falar deste “Espaço Ginjal” de Helena Gonçalves recupero uma delas, a do ensaio “Do Sublime” de Schiller, datado de 1973: “um objecto relativamente ao qual somos fisicamente frágeis enquanto que moralmente nos elevamos para além dele através das ideias”. Este espaço, já em fase de abandono, perante o qual sentimos o peso da impossibilidade do que foi e já não é, surge aqui, através do olhar de Helena Gonçalves com uma nova existência, esta, sim, eterna. Desde logo, porque esta é uma característica de qualquer objecto artístico, a sua perenidade. Porém, mais que isso: ao fixar uma realidade num instante (nem sempre decisivo), imortaliza--a na memória de quem a recebe. A partir destas fotografias, apropriamo-nos dessa “história” e construímos outras estórias, conduzidos pela luz com que Helena Gonçalves percorre o espaço, induzindo, assim, a passagem do tempo. De forma autoral e assumidamente subjectiva, a luz congela ou arrasta fragmentos deste espaço, aparentemente, encenado. Sucede que, embora “luz”, no seu sentido figurado, seja sinónimo de “verdade”, aqui assume uma outra formalidade de onde resulta o carácter sublime destas fotografias: vemos para além do visível, da dimensão do “representável”. Aquilo que não é mostrado é tão, ou porventura até mais, importante do que é iluminado. Talvez seja o momento de revelar, citando Samuel Beckett, em “À Espera de Godot”, «Sometimes I feel it coming all the same. Then I go all queer.», que o Espaço Ginjal existiu até meados de 2010 e foi palco de inúmeras manifestações artísticas, nomeadamente no âmbito do Teatro e da Performance. Simbolicamente, “Espaço Ginjal” fala deste espaço e de muitos outros que deixaram de existir por exigências de outra natureza, acabando assim, e cada vez mais, com lugares de criatividade para artistas e encontros com os públicos. Não, não queremos ficar à espera de Godot, perante essa estranheza do não-significado que, por vezes, mais que as desejadas, a condição humana encerra. Do absurdo só queríamos o Teatro, não a Vida.

Helena Gonçalves

Helena Gonçalves nasceu em Portimão em 1978. Vive e trabalha em Lisboa. Entre 2000 e 2002 frequentou o Curso Básico de Fotografia Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa. Em 2004 terminou o Curso Avançado de Fotografia na mesma escola. Co-Fundadora da Black Box Atelier, com Álvaro Teixeira, em 2014. Professora de Fotografia no Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual desde 2005. Em 2010 e 2009, foi finalista de «Emergentes» - Encontros da Imagem, em Braga. Em 2006 foi finalista e representante na área da Fotografia na Bienal Jovens Criadores. Itália. Já participou em inúmeras exposições individuais e colectivas, em Portugal e no estrangeiro (Espanha, França, Itália e República Checa), das quais se destacam: «Territories de la photographie portugaise», com a curadoria de Rui Prata, na Galerie Nationale de la Tapisserie, Beauvais, França (2013), «Monchique» na Galeria FotoGrafic, Praga, República Checa (2012), «11.09.10», com a curadoria de Ana Matos, Museu de Arte Contemporânea, Funchal, Madeira (2011) e no Espaço Ginjal, Cacilhas, Almada (2010), «Finalistas Emergentes DST» – Encontros da Imagem 2010, Braga (2010), «Fronteiras do Género» - Encontros da Imagem ’09, Braga (2009), Bienal «Jovens Criadores», Bari, Itália (2008), «Dia-Noite», Galeria das Salgadeiras, Lisboa (2008), «Fogo e Água» em itinerância na Província de Granada, Espanha (2006) e «Dança», Galeria das Salgadeiras, Lisboa (2003). Encontra-se presente na Fundação EDP e na Fundação José Saramago, bem como em diversas colecções privadas. Representada pela Galeria das Salgadeiras desde 2003.

Local da Exposição

Posto do Turismo de Barcelos

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