Daniel Diaz Trigo

"Poseer Para Non Esquecer"

Poseer Para Non Esquecer

O título do projecto que ganhou o Prémio Galicia de Fotografía Contemporânea em 2013, faz referência ao modo de trabalhar de Daniel Díaz Trigo, e traz pistas que ajudam a comprender o âmbito do seu trabalho. O projecto é uma viagem subjectiva ao microcosmos pessoal e quotidiano do autor, além de uma viagem nun pequeno território, a Terra Chá luguesa. No dia em que se reuniu o jurado, havia uma diferença evidente na concepção da fotografía e a diversidade na formação dos componentes que tornou unanimemente claro qual era o projecto seleccionado, o que reunia os requisitos necessário para um prémio deste nível. A convocatória foi respondida por autores de 10 países, com projectos de grande qualidade, pelo que ao jurado foi complicado seleccionar finalmente apenas os de Antonio López Losada, Daniel Díaz Trigo e Jose Rodríguez Romay, que foram os três finalistas. No caso de Díaz Trigo, o Prémio vem reconhecer-lhe uma longa trajectória como artista, tanto na fotografía, como na pintura ou na ilustração, sobejamente conhecida pelo seu traço particular, e que já deu frutos em várias publicações e com participação em várias exposições. Com a nomeação de Daniel como Prémio Galicia de Fotografía Contemporánea, fecha-se um círculo; já que há 31 anos, un luguês, Benito Losada, dava início a um projecto chamado Outono Fotográfico, e hoje, outro luguês começa outro, que, em paralelo ao festival, nasce com a pretensão de ter uma longa vida. Posesións para un esquecimento é um projecto em que Díaz Trigo já trabalha há mais de sete anos. Nele mistura o peso do documental implícito desde o nascimento da fotografía com a plasticidade e conceptualidade que o meio adquiriu com a apropriação das grandes artes. O projecto pretende dar relevo a uma harmónica conjunção entre memória colectiva e íntima, um passeio pausado pelas lembranças e o esquecimento, mais também pelo seu território, concentrado nuns poucos quilómetros. O autor presenta o resultado da sua preserverança na compilação de lembranças, que materializa em forma fotográfica para que não sofram o abandono na memória pessoal e, no máximo, colectivo e institucional. (...) No que concerne a forma, no projecto convivem fotografías do mais puro estilo documental, cujo aspecto plástico evoca outro tempo, com grandes panorâmicas de fotomontagens e imagens nas que se misturam até o desenho e a pintura, e nas que não se documenta uma realidade, pois nunca existiu, mas que pretendem apropiar-se da memória de quem as vê para formar parte do fundo documental pessoal, e em definitivo, da memória. O trabalho de Díaz Trigo, está pleno de “vozes que não se ouvem, de silêncios que já não se lembram” como disse o própio autor na inauguração da exposição. O trabalho divide-se em quatro capítulos que trabalham espaços significativos e que mapeiam a Terra Chá. Assim, ao longo de “O Campo”, “A Colonización”, “As Torres de Arneiro” e “O Manicomio”, vai-se desenrolando a história recente da vizinhança da comarca luguesa, através da qual se podem seguir os acontecimentos históricos que sofreu a Europa do século passado, de um modo intimista até ao ponto de fotografar um espaço muito próximo, que fala também da história pessoal e familiar.

Daniel Diaz Trigo

Licenciado em Belas Artes pela Universidade de Salamanca. Combina a sua activilidade profissional de docente em Educação Plástica e Visual com a da investigação da linguagem fotográfica. Constrói ficções visuais para estudar a interpretação da memória colectiva no seu contexto imediato. Foi premiado na edição de 1995 do concurso da Direção Geral de Juventude, obteve o 1.º prémio no Certame «Lugo urbano, Lugo rural», uns meses depois; tocou outros aspectos da fotografia, como demonstrou na sua exposição «A viagem», que percorreu distintas salas galegas e que se converteu num livro com título Em trânsito, editado com uma bolsa da Comunidade de Castela e León, na colecção «Campo de Agramante» Publicou também o seu projecto “Mondoñedo e outras histórias” (Mondoñedo, Galiza, 2006). Em 2013 é nomeado I Prémio Galicia de Fotografía contemporânea.

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O Mosteiro de São Martinho de Tibães, antiga Casa Mãe da Congregação Beneditina portuguesa, foi adquirido pelo Estado Português em 1986 e afecto ao Instituto Português do...

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