Eduardo Brito e Rui Hermenegildo

"5 p.m., Hotel de La Gloria"

5 p.m., Hotel de La Gloria

Ao minuto 52 da longa metragem The Passenger (Michelangelo Antonioni, 1975), David Locke, sob a pele de David Robertson, abre uma agenda: um grande plano mostra que a 11 de Setembro de 1973, às 5 p.m., há um encontro marcado no Hotel de la Gloria, em Osuna. É para lá que se destina o caminho de Locke, é no Hotel de la Gloria que o filme irá confluir no célebre plano sequência de sete minutos, o antepenúltimo do filme. Osuna é uma cidade a 89 quilómetros de Sevilha, conhecida, entre vários atributos, pela sua cripta ducal, referida por Lorca em Jogo e Teoria do Duende em 1933. Porém, Antonioni decidiu filmar Osuna e o seu Hotel de La Gloria - especificamente construído para o filme - em Vera, a 363 quilómetros de Osuna. Ao decidir filmar Osuna em Vera,Antonioni transformou a primeira cidade num lugar duplamente imaginário: se já o era na ficção que dá corpo ao filme, passa a sê-lo enquanto cinema feito. Locke viaja até ao Hotel de la Gloria, em Osuna, concebido e realizado em Vera.

5 p.m., Hotel de la Gloria é um trabalho de Eduardo Brito e Rui Hermenegildo feito em Osuna, a partir do referido plano antonioniano. Através da imagem fotográfica, este plano cinematográfico é convocado na sua localização e movimento imaginários em Osuna: assim se relocalizando, enquanto fotografia e ficção sobre a ficção, no lugar para onde o cinema o remete. 5 p.m., Hotel de la Gloria é portanto uma deriva pela impossível materialização (ou imaginação) de um lugar, de um encontro marcado na grande ilusão do cinema.

Eduardo Brito e Rui Hermenegildo

Eduardo Brito (1977), tem o mestrado em Estudos Artísticos, Museológicos e Curadoriais pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde investiga no I2ADS. Foi coordenador do Reimaginar Guimarães, projecto de arquivo de espólios fotográficos da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. É autor das séries fotográficas Terras Últimas (CCVF, 2010), Uma Variação Veneziana (Pianola, 2014), do texto As Orcadianas (Grisu, 2014) e das curtas Antropia (2009), Linha (2012) e Terras Interiores (2013, com Joana Gama, a partir da música de Carlos Marecos) e As Simultâneas (com Rita Faustino, 2015, a partir da casa de Sonia Delaunay). Escreveu o argumento do filme O Facínora (Paulo Abreu, 2012) e A Glória de Fazer Cinema em Portugal (Manuel Mozos, 2015). Rui Hermenegildo (Moçambique, 1976) tem uma licenciatura em direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e frequentou o curso de iniciação à fotografia no ARCO, em Lisboa. Expôs a sua série “Histerese” na Trem Azul (2010) e integrou a exposição colectiva de fotógrafos da CPLP na extinta Galeria Pente 10. Foi colaborador da Revista Obscena, Revista de Artes Performativas, onde escreveu sobre política cultural e publicou a sua série “O Alquimista”. Fotografa desde 2001.

Casa das Bombas (Galeria Janes)

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