Bénédicte Vanderreydt

"I am 14"

I am 14

Adolescência, essa bela, e de certa forma repulsiva fase. Existirá melhor forma de conseguir entrar nela do que com a ajuda de uma câmara? Não faz diferença se são Palestinas, Congolesas ou Belgas, atualmente é em frente a uma objetiva (usualmente a do telemóvel) que raparigas de 14 anos experimentam e descartam, reunindo em pequenos amontoados abandonados, uma série de identidades, tal como fazem com a roupa em frente ao espelho do seu roupeiro. Elas olham para si mesmas, mostram-se, experimentam e voltam a repetir.

Através deste encenado, documentário performativo, Bénédicte Vanderreydt investiga o que vê, como um complexo conjunto de espelhos onde perdemos a noção de quem está a observar e de quem está a ser observado.

Elas criam um subtil jogo de espelhos: um grupo de raparigas tiram fotografias num telhado, numa piscina, no meio dos corredores da escola, assim como fazem todos os dias, talvez até todos os minutos. Mas a heroína olha para o fotógrafo, e deste modo para o espetador, como se quisesse dizer: “Olha, esta é a minha vida.” Ela dá-nos uma lição, mostrando ousadamente que não se deixa enganar por um circo orquestrado por outros, nem por uma imagem composta pelo fotógrafo; deste modo ela reconquista o poder. E não é em torno disto que a adolescência se move, querer desesperadamente pertencer ao grupo e ao mesmo tempo querer saltar fora? Na banda sonora que complementa as imagens, ouvimo-las falar umas a seguir às outras. A que diz que vive “numa prisão ao ar livre” (r’ua), a que sonha com “uma vida melhor na Europa” (Loraine), a que reclama das pessoas assumindo que tem “uma vidinha perfeita” mas que vive sufocada por ela (Valentine). Não é apenas o aprisionamento que as une: claro que os seus quartos são semelhantes; tal como o comportamento desgastado que encontramos por vezes; e principalmente o seu à vontade em frente à câmara. As situações são certamente teatrais, as poses combinadas, mas existe uma natural, inegável verdade que se faz notar.

Elisabeth Franck-Dumas

Bénédicte Vanderreydt

Bénédicte Vanderreydt começou a interessar-se pela fotografia no início da sua juventude. Mais tarde aprofundou o seu conhecimento nesta arte na Gobelins School em Paris. Nessa altura, ela tendia para o retrato e foi assim que se ancorou nesta disciplina.

Nos últimos três anos Vanderreydt tem vindo a refletir sobre narração e tem desenvolvido a sua série, I am 14, entre outros trabalhos. Nesta série aborda o tema da adolescência. Possui um mestrado em Comunicação e Media realizado em Bruxelas, e estudou teatro na escola de artes interpretativas Xavier Gratacós, em Barcelona.

Desenvolve simultaneamente uma carreira artística no palco, rádio e em outros meios de comunicação.

Estas três diferentes abordagens influenciam continuamente a sua pesquisa e o seu trabalho artístico.

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