Phil Toledano

"Maybe"

Maybe

A maior parte da minha vida foi passada sob um manto de amor e privilégio. Fui sortudo de uma forma que as pessoas nem podem imaginar. E envolvido nesse sonho estava a ilusão do controle. A sensação reconfortante de ter as mãos no leme, irrevogavelmente guiando-me para cima, em direção a um futuro brilhante e certo.

Quando minha mãe morreu de repente em 2006, tudo mudou. Eu pensei que os pais fossem para sempre, mas quando os meus desapareceram, eu percebi que nada era para sempre. O que era óbvio para a maioria das pessoas, mas não para mim. O futuro tornou-se de repente uma paisagem sombria, repleta de caminhos incertos e tempestades ruinosas. Desde aí me questionei sobre que outros desvios obscuros estariam por vir. Assim, ao invés de esperar impotente pelo meu futuro, decidi enfrentar os meus medos e procurei antecipar o meu destino. Eu anteciparia o meu destino. Adivinharia as direções imprevistas e abruptas que a minha vida tomaria. Eu ver-me-ia como um homem velho. Vislumbraria o fracasso e a solidão. Eu seria invisível. Não conseguiria andar. Seria obeso. Teria um ataque cardíaco. Perderia-me. Seria deixado de lado, irrelevante. Eu veria a minha própria morte. A fotografia é sempre sobre o passado. O momento que a foto é tirada; está atrás de nós, na história. O projeto é sobre o futuro–mas como se pesquisa sobre o que ainda não aconteceu? Eu fiz um teste de DNA para saber que tipo de doenças eu teria maior propensão a desenvolver. Consultei adivinhos, leitores de cartas, hipnotizadores, adivinhos, numerologistas e leitores de palma da mão. Eu pesquisei estatísticas em seguradoras. Eu olhei fundo para os meus medos mais profundos. Trabalhei com um hábil especialista em próteses, assim eu poderia tornar-me fisicamente nos meus eus do futuro. Eu fiz aulas de atuação. Eu aprendi como me mover como um homem de 90 anos. Como me perder em um personagem. Guiado pela minha pesquisa, eu fiz imagens. E algo extraordinário aconteceu. O trabalho transformou-se. Da arte, a um exorcismo.

Phil Toledano

Nasci em 1968 em Londres, de uma mãe franco-marroquina e de um pai americano. Tenho Bacharelado em Literatura Inglesa. A minha formação em arte veio do meu pai, que era artista. Seria justo dizer que eu aprendi por osmose. Considero-me um artista conceitual: Tudo começa com uma ideia, e a ideia determina a execução. Consequentemente, o meu trabalho varia de meio, da fotografia à instalação, da escultura à pintura. Os temas do meu trabalho são primariamente sociopolíticos, ainda que ultimamente eu tenha começado a desviar-me para o profundamente pessoal.

Museu Nogueira da Silva

Avenida Central 45/61 - 4710-228 Braga

O Museu Nogueira da Silva deve a sua fundação ao legado, feito em Setembro de 1975, a favor da Universidade do Minho pelo Senhor António Augusto Nogueira da Silva....

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