Cristina De Middel

"This is What Hatred Did"

This is What Hatred Did

Nos anos 60, a vila de um menino Nigeriano de 5 anos foi atacada por soldados. A sua mãe tinha-o deixado sozinho em casa e ele teve que fugir, escapando às bombas e ao fogo. Ele salvou a sua vida entrando no Bush, esse mágico território onde não são permitidos humanos e onde todos os espíritos Yoruba vivem e lutam. O nosso menino passou 30 anos perdido no Bush tentando encontrar o caminho de volta a sua casa por entre os espíritos e os mortos. Ele casou-se duas vezes, tornou-se rei, um deus, um escravo, uma vaca, uma jarra, um cavalo, e uma cabra. Ele comeu ouro, prata e bronze, cobras e caracóis. Ele combateu duas guerras e foi sentenciado de morte meia dúzia de vezes...tudo isto em apenas 100 páginas.

Amos Tutuola escreveu My Life in the Bush of Ghosts em 1964, e de seguida teve que abandonar o país para escapar às violentas reações ao livro que iria abrir no exílio um novo caminho às contemporâneas narrativas Africanas. A história é contada por uma criança de 5 anos num estilo bastante simples, direto, ingénuo e repetitivo, como só uma criança consegue com mestria, mas consegue também transmitir a realidade mágica e absurda que a guerra e a religião acrescentaram à experiência Nigeriana.

A série intitulada This is What Hatred Did (a misteriosa última frase do livro), visa fornecer uma contemporânea versão ilustrada desta história, adaptando as personagens, o espaço e o ambiente à atual situação do país. O Bush é agora um lugar em Lagos, vizinho de Makoko, uma favela flutuante com regras próprias, comandada por reis e líderes comunitários. É um lugar onde a lógica parece não prevalecer, e dessa mesma forma é proibida a entrada a pessoas que não pertencem lá. Com a convicção de que as questões contemporâneas devem ser descritas de forma a incluir tradições antigas, perspetivas, medos e esperanças, esta série documenta a realidade aumentada de um dos mais emblemáticos lugares da Nigéria, isto de acordo com os sempre dramáticos meios de comunicação.

Cristina De Middel

Cristina de Middel é uma fotógrafa cujo trabalho investiga a ambígua relação entre a fotografia e a verdade. Combinando documentário com práticas conceptuais de fotografia, ela joga com reconstruções e arquétipos que distorcem o limite entre realidade e ficção. Após uma carreira de sucesso como fotojornalista, De Middel abandonou a mira do fotojornalismo. Foi então que produziu a tão aclamada série de trabalhos intitulada The Afronauts, em 2012, onde explorou a história de um fracassado programa espacial na Zambia nos anos 60, através da recriação encenada de narrativas obscuras. Os trabalhos de De Middel mostram que a ficção pode servir como tema para a fotografia, tal e qual servem os factos, realçando que a nossa expetativa de que a fotografia deve sempre fazer referência à realidade está errada. De Middel tem exposto vastamente no estrangeiro e recebeu diversos prémios e nomeações, incluindo o PhotoFolio Arles 2012, o Deutsche Börse Prize, POPCAP’ 13, e o Infinity Award pelo International Center of Photography em New York. De Middel vive e trabalha no México.

Casa dos Crivos

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Exemplar único de uma tipologia habitacional muito comum em Braga nos séculos XVII e XVIII, a Casa das Gelosias, ou dos Crivos, situa-se na Rua de São Marcos, uma das...

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