Benoît Luisiére

"Un Autre Jeu"

Un Autre Jeu

Quando eu acredito ser esta pessoa, tu vês-me como essa pessoa. Existem tantos “Eu”s como tantos “Tu”s? Para esta questão, posso imaginar as prováveis respostas e as más interpretações. O que está verdadeiramente definido na identidade que não seja a sua constante (des)(re)construção? As fotos de família são os meus pequenos teatros de papel brilhante onde o “Eu” e o “Outro” (uma pessoa híbrida e transitória) representam simultaneamente as “hipóteses do eu”. Serei eu este “Desconhecido”? Hesito. Por trás de tudo isto e o mais elementar, é que existe sempre uma mentira algures. Deste modo eu “crio” uma personagem como alguém cria uma ilusão. Ou como alguém faz um café...

Num quotidiano simultaneamente social e carnavalesco, o oposto de “Eu” não é “Outro”. É um outro jogo. Um jogo que permite à pessoa conhecer as suas próprias possibilidades. Estas imagens poderiam pertencer a uma família, cujo pai poderíamos apelidar de “Memórias Esquecidas” e a mãe de “Incerteza”. A personagem principal tem a curiosidade de se tornar numa outra pessoa, não interessa quem, com a condição de que este processo continue indefinidamente.

Benoît Luisiére

Sou um arquivista que cessou funções. Durante um longo período de tempo, eu costumava tirar fotos aos domingos. Depois nas férias. E em 2011, numa foto anónima, substituí a cara de uma pessoa desconhecida pela minha. Esta era a imagem de um homem a olhar para si mesmo ao espelho. Eu tomei o lugar da sua reflexão. E foi nesse momento que os problemas começaram... Desde aí, tenho continuado, obsessivamente, a colocar-me em cenas, substituindo outras pessoas. Transformei-me num impostor. O que é isso, que deve ter acontecido durante a primeira experiência na criação de um híbrido, que eu continuo a procurar reproduzir?

Neste processo de reapropriação, eu satisfaço a minha necessidade de me colocar na imagem ou no cenário. Isto não é propriamente para meu proveito pois eu tenho preferência por um equilíbrio desequilibrado. É ambíguo mas muito mais divertido do que isso a que chamamos “realidade”.

Para além destes jogos narcisistas, o meu trabalho surge de um desejo de compreender a minha relação com o “Outro”. Primeiramente, é uma busca pela alteridade; identidade é a consequência lógica imediata, mas é secundária. Na generalidade, “Outro” é alguém que te perturba ou que te preocupa. É também alguém que te define: na sua visão, as tuas próprias contradições, fraquezas e obsessões são reveladas. E nesta perspetiva incerta, todo o tipo de incompreensões e ilusões, se tornam possíveis.

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O Mosteiro de São Martinho de Tibães, antiga Casa Mãe da Congregação Beneditina portuguesa, foi adquirido pelo Estado Português em 1986 e afecto ao Instituto Português do...

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