Malick Sidibé

"La Vie en Rose"

La Vie en Rose

Curadoria de Laura Serani e Laura Incardona

A exposição “La Vie en Rose” apresenta uma seleção de cerca de 50 fotografias - maioritariamente inéditas – tiradas por Malick Sidibé na capital do Mali, Bamako, no período entre 1960 e 1970. Fotografias que revelavam plenamente a magia e emoção da vida em Bamako naqueles anos, quando o desejo de união, e fazer parte da história parecia imperativo; imagens que tornaram Sidibé mundialmente famoso: as festas na década de 1960, retratos de estúdio e uma seleção de fotografias dos seus arquivos, que nos relatam um longo período de tempo da história do Mali. “Creio no poder da imagem e é por isso que vivi toda a minha vida a fazer retratos de pessoas, da melhor forma possível, tentando devolver-lhes a maior beleza que conseguisse, porque a vida é uma dádiva de Deus e deve ser vivida com um sorriso no rosto. Muitas vezes a imagem de África é relacionada com dor, pobreza, miséria, mas África não é só isso, e foi isso que eu sempre quis retratar nas minhas imagens”, palavras de Malick Sidibé sobre a sua atividade como fotógrafo e o valor da sua fotografia no âmbito da história pessoal e social do seu país.

“Sempre tive um talento para observação. Eu gosto de observar as pessoas, tentando entendê-las, de forma estabelecer uma ligação com elas”, diz ele. “Eu sou uma verdadeira testemunha das mudanças que aconteceram no meu país, porque a fotografia não mente, pelo menos a fotografia a preto e branco, a que eu sempre fiz. Razão pela qual acredito profundamente que a minha fotografia é muito mais verdadeira, real e direta do que qualquer palavra. É simples, qualquer um pode entendê-la e retrata uma época, sem recorrer a artifícios. A humanidade tem sempre procurado a imortalidade na pintura ou na poesia, através da escrita, mas no passado apenas os reis e os ricos poderiam ter um retrato seu feito. A fotografia é uma maneira de prolongar a vida, mesmo após a morte.”

A reconstrução do estúdio Malick tem acompanhado esta exposição, que foi primeiramente apresentada em Itália no Collezione Maramotti, acompanhada de uma monografia dedicada ao autor, e publicada pela Silvana Editoriale. O livro disponível em três línguas e editado por Laura Serani e Laura Incardona, apresenta cerca de cem imagens, incluindo participações dos curadores da exposição.

Malick Sidibé

Malick Sidibé nasceu em 1936 em Soloba, uma vila a 300 quilómetros de Bamako. Em 1955 formou-se em design e produção de jóias na Escola Sudanesa de Artesanato, tendo sido o primeiro do seu curso. O jovem Sidibé ficou fascinado com a fotografia e decidiu ficar com Guillat-Guignard como seu aprendiz, após ter recebido a tarefa de decorar a loja do fotógrafo francês. Em 1957 começou a fazer suas primeiras reportagens de festas, batizados e casamentos. Em 1960, começou a sua carreira como freelancer e em 1962 abriu o Estúdio Malick, no bairro popular de Bagadadji, onde continuou a sua atividade como retratista.
Ao mesmo tempo Sidibé retratava as noites de Bamako e as tardes de férias passadas nas margens do rio Niger: Mali tinha conquistado a sua independência apenas dois anos antes e o País estava pleno de nova energia e entusiasmo. As notícias e informações giravam o mundo, os filmes chegavam da Europa, Índia e Estados Unidos, mas foi principalmente a música que trouxe mudanças rápidas e difusas para a sociedade de Bamako.
O fotógrafo participou em festas de jovens que vestiam roupas ocidentais e dançavam ao som da música reproduzida por leitores de vinil: as suas fotografias retratavam jovens alegres, cheios de entusiasmo e esperança em relação ao futuro. Por toda a cidade foram abrindo discotecas com nomes exóticos e Sidibé foi convidado para todos estes grandes eventos: a sua fama era tão grande que, se ele não pudesse participar, então eles alteravam a hora ou o dia do evento.
No final dos anos 1970, Sidibé decidiu focar a sua atividade em retratos de estúdio. Depois de trocar algumas palavras com as pessoas, para que se sentissem mais à vontade, o próprio Sidibé escolhia a pose ideal para a sessão, conseguindo em apenas algumas fotos captar a essência da personalidade dos retratados.
Em 1994, durante a primeira edição de Rencontres de la Photographie de Bamako, os seus retratos foram exibidos pela primeira vez juntamente com obras de Seydou Keïta (outro grande autor de Bamako, cerca de dez anos mais velho, que morreu em 2001). Autores e críticos ocidentais descobriram o seu talento. Logo após as fotografias de Sidibé terem ido para Paris, primeiro para a Fnac Etoile e depois para a Fondation Cartier pour l'art contemporaine; num curto espaço de tempo museus e galerias de todo o mundo começaram a expor as suas obras. O autor trabalhou sempre até à sua morte, a 14 de abril de 2016, em Bamako.
Em 2007 foi homenageado na Bienal de Veneza com um "Leão de Ouro" pela sua carreira, prémio atribuído pela primeira vez a um fotógrafo. Em 2003 ganhou o prémio Hasselblad Prize na Suécia, em 2008 o ICP Award em Nova York, em 2009 recebeu o prémio PhotoEspaña Baume & Mercier em Madrid e um World Press Photo na categoria de Artes e Entretenimento em Amesterdão.
Foram impressas muitas publicações e livros sobre a sua obra na Europa, Estados Unidos e África, incluindo um Photopoche (Col. Delpire/Actes Sud, Paris), “La Vie en Rose” (Silvana Editoriale, Milão), Malick Sidibé (Scalo, Zurique) e Malick Sidibé (Fondation Zinsou, Cotonu).

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