Vivemos tempos de uma tremenda violência, violência entre pessoas e entre estas e a natureza. Enquanto civilização parece que nos esquecemos o que o passado histórico nos ensinou - violência apenas gera mais violência.
Vivemos tempos de opiniões fraturadas, que levam à destruição de famílias, comunidades, e até mesmo países. Tempos estes de discursos censurados e do
politicamente correto. Tempos onde somos bombardeados com um excesso de informação contraditória o que provoca um estado de medo e alerta constante. Medo esse que nos faz crer que os nossos corpos perderam subitamente a capacidade de nos manter protegidos. Existe uma sensação de segurança e conforto quando nos é possível comunicar na nossa língua materna e, atualmente, milhares de pessoas estão a ser forçadas a abandonar os seus lares para viver em países onde ninguém fala a sua língua e onde os seus direitos humanos básicos estão a ser neglicenciados. O medo torna-nos egocêntricos, recorremos à violência e criamos muros e fronteiras tanto físicas como mentais.


Chegou o momento de nos interrogarmos e decidirmos enquanto sociedade, se iremos desenvolver a tolerância, defender os direitos humanos, e pensar no planeta como o nosso último refúgio. Se iremos ser contra o racismo, xenofobia, desigualdade de gênero ou qualquer outro tipo de intolerância ou, se iremos continuar a prolongar estes traumas com indiferença, esperando para ver onde estes nos levarão?
O festival internacional de fotografia e artes visuais - Encontros da Imagem, na sua 29a edição pretende reunir através de fotografia contemporânea diferentes ideias e
perspetivas sobre a atualidade mundial como forma de abrir a discussão em torno destes assuntos. Assuntos estes que são relevantes mas fraturantes, e que podem ajudar a repensar e reconfigurar o nosso futuro!