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Magdalena

Felipe Romero Beltran

Exposições
13 Set 2019 > 27 Out 2019
Mosteiro de Tibães

O conflito armado na Colômbia começou na década de 60 com a ascensão de guerrilheiros rurais armados, que buscavam voz nas decisões essenciais do governo daquela época. Anos mais tarde, o tráfico de drogas e os exércitos paramilitares completaram a equação de guerra: um conflito que resultou em mais de 200.000 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos nos rios da Colômbia até aos dias de hoje. Historicamente, o rio Magdalena tem sido essencial para a nação, com 1550 quilómetros de extensão é uma fonte de água vital e foi consagrado o coração de toda aquela área. Durante o conflito armado, guerrilheiros, grupos paramilitares e máfias locais trouxeram a violência às suas margens. A região foi drasticamente impactada pelo conflito, aconteceram milhares de assassinatos, e centenas de famílias ainda procuram pelos corpos dos seus familiares desaparecidos. Durante as guerras os corpos eram muitas vezes mutilados e lançados ao rio, para que não houvesse qualquer vestígio. No entanto, os corpos nem sempre desapareciam. No meio do rio, na zona chamada < > os pescadores aproveitavam a abundância para alimentar aldeias inteiras. Os pescadores do rio Magdalena, na Colômbia, não só pescavam peixe. Nas suas redes caíam estes corpos ou partes deles. Arrastados ao longo do rio, e durante anos, os cadáveres chegavam perto das aldeias que habitavam as margens dos rios. Eles são o NN, 'nomen nescio' em latim. As pessoas sem nome, corpos perdidos. Hoje em dia, após se ter alcançado um acordo de paz (embora não tenha sido totalmente implementado), ainda existem cadáveres presos no fundo das águas. Ao longo das margens do rio as comunidades locais decidiram enterrar e orar por esses corpos, na esperança de que não se tornassem almas perdidas. Magdalena é um projeto em andamento que explora os processos de reconciliação na era pós-conflito. A história está localizada numa área cheia de magia e, simultaneamente, cheia de um desejo palpável de reconciliação da memória com o passado.

  • Felipe Romero Beltran

    Colômbia

    Felipe Romero Beltran, de 26 anos, é um artista visual de Bogotá, Colombia.

    Depois de viver a sua infância na cidade de Bogotá, Felipe recebeu uma bolsa para ir estudar para a Argentina e mudou-se para Buenos Aires para estudar artes visuais. Nessa altura já tinha um grande interesse pela fotografia documental e tinha feito várias viagens para desenvolver os seus projetos pessoais. Em 2014, recebeu uma bolsa para estudar em Jerusalem na Academy of Arts Bezalel e mudou-se para Israel. Neste período, desenvolveu projetos de fotografia sobre a Palestina, Egipto e Isral, concentrando-se em questões sociais. Em 2016 mudou-se para Madrid e foi estudar fotografia – Master of Arts in Photography na King Juan Carlos University. Neste momento, Felipe esta a desenvolver projetos sobre os processos pós-conflito na América Latina ao mesmo tempo que termina o seu doutoramento em comunicação de fotografia documental pela Complutense University of Madrid. 

    Felipe trabalha com várias revistas tais como: XLSemanal (Spain), Esquire (Spain) e com a Vogue (Spain). Este já recebeu vários prémios tais como:  Sony Photography Awards (2016), World Nomads Scholarship (2017), Canon Visa pour l’image (2017), Burnmagazine EPF (2018), New York Times Portfolio Review (2019), Photoespaña HACER (2019).