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Not being able to live but one life

Ana Rego

Exposições
13 Set 2019 > 26 Out 2019
CAAA Centro para os Assuntos de Arte e Arquitetura

Confrontada com um evento familiar traumático, depois de ver a minha tia ficar completamente paralisada e incapaz de se comunicar após um AVC – Síndrome de "Locked-in" – comecei a questionar sobre o conceito da vida e a reflectir sobre como nossos corpos e nossa consciência participam deste jogo intrincado.  “Encarcerados” dentro de si mesmos, estes pacientes não têm como se mover, falar, mastigar ou engolir de forma espontânea... Incapazes de qualquer expressão facial, conseguem apenas mover os olhos e pálpebras, mas estão plenamente conscientes. Reclusos num corpo que já não lhes pertence, vivos num corpo "morto", usam a memória e imaginação como ferramentas de sobrevivência. Enfrentando sentimentos muito contraditórios durante este processo, o meu objectivo inicial era investigar sobre os potenciais riscos ou benefícos inerentes ao desenvolvimento biomédico, especialmente no campo da reanimação e reabilitação neurológica... A sociedade atual tem a sofisticação tecnológica para manter um corpo vivo, mas será que pode restaurar as habilidades humanas mais fundamentais? Com uma formação científica, sou de alguma forma levada a encarar-nos como um grupo complexo de átomos, partículas, veias, axónios, ossos - matéria, que é guiada pelo nosso poder de pensar, agir, e logo, de existir...  O que significa então estar vivo?  Decidi abordar este projeto de forma poética e subjetiva, onde a narrativa não está mais ligada à minha própria história pessoal, nem à minha tia como personagem principal. Em vez disso, "Não ser capaz de viver apenas uma vida" aborda a dualidade do corpo-mente e o significado de estar vivo quando totalmente privado de autonomia e capacidade de comunicação.  Este é um projeto sobre trauma e tristeza e traduz meus conflitos internos ao lidar com assuntos de vida e morte. Reconhecer a violência, a dor e a solidão, tentar representá-las tanto na sua beleza como na sua crueldade foi essencial para superá-las.

  • Ana Rego

    Portugal

    Ana Luisa Rego (1974) é uma fotógrafa portuguesa. Tirou a licenciatura em Medicina,  estudou fotografia e encontra-se a fazer o master em fotografia artística. Com interesse em projetos documentais que abordem questões sociais e relacionadas com a medicina e as suas consequências.  Utilizando esta abordagem interdisciplinar e colaborativa entre a arte e a ciência, Ana pretende levantar questões éticas relacionadas com a sociedade contemporânea. Ao criar narrativas que abordam os potenciais riscos e recompensas do desenvolvimento tecnológico biomédico, Ana quer analisar como é que a sociedade se compromete com estas consequências. Ana já realizou projetos no Afeganistão, na Amazónia, Zimbabwe, Timor e Portugal. Já expôs em Portugal (Porto, Lisboa e Cimbra) e Timor e recebeu uma menção honrosa FNAC Novos Talentos em Fotografia (2004).