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Quel Pedra

Pauliana Valente Pimental

Exposições
13 Set 2019 > 27 Out 2019
Casa dos Crivos

Existe um mito no Mindelo, na ilha de São Vicente, que diz que quem se sentar numa determinada pedra, no bairro de Font Flip, se torna gay. Foi neste bairro que conheci a Steffy e sete dos seus amigos: Edinha, Gi, Elton, Sindji, Susy, Henio e Jason. Estes rapazes, com idades compreendidas entre os dezassete e os vinte e cinco anos, são transgénero, no sentido em que gostam de usar roupas femininas, maquilhagem, e de serem chamados por nomes de mulher. Deparando-me com esta realidade tão particular em Cabo Verde, e com o significado desta pedra, resolvi intitular este trabalho de Quel Pedra, que é o criolo para «Aquela Pedra».

Existe ainda uma intolerância fortíssima para com os homossexuais em muitos países africanos, em alguns casos motivada por convicções religiosas, noutros por ignorância. Muitos africanos são forçados a imigrar para a Europa na impossibilidade de viverem livremente a sua sexualidade. 2004 foi o ano que marcou a legalização da atividade sexual

entre pessoas do mesmo sexo em Cabo Verde. Até então era crime praticar uma relação homossexual. Em doze anos mudou a lei, mas a discriminação persiste e, em 2013, um ano antes de conhecer este grupo de amigos, realizou-se no Mindelo a primeira Gay Parade. Tendo em conta estes factos, interessou-me conviver com esta comunidade e perceber quais seriam os seus sonhos, frustrações, esperanças e receios. De onde vinham a sua coragem e atitude. Estive com eles em dois momentos: um no final de 2014 e agora em março de 2016, e foi interessante ver o quanto mudou a vida destes jovens cabo-verdeanos, e de que forma. A ideia deste trabalho é confrontar o espectador com os seus preconceitos, desafiando as convenções e normas sobre a identidade do ser humano.

A Simone de Beauvoir disse «Ninguém nasce mulher, torna-se mulher». Talvez este trabalho tenha como intuito o desvendar do que significa ser mulher nos dias de hoje.

  • Pauliana Valente Pimental

    Portugal

    Pauliana Valente Pimentel nasceu em 1975 em Lisboa, cidade onde vive apesar de trabalhar internacionalmente. Desde 1999 que trabalha como fotógrafa freelancer para várias revistas e jornais Portugueses e Internacionais. Em 2005, frequentou o curso Artistic Creation Program promovido pela Gulbenkian. Pauliana foi membro do coletivo Kameraphoto desde 2006 até ao ano da sua extinção 2014, dois anos depois fundou o “N’WE”. Para além da sua participação em publicações coletivas, ela produziu o seu primeiro livro “VOL I” publicado pela Pierre Von Kleist e “Caucase, Souvenirs de Voyage” em 2011 publicado pela Fundação Gulbenkian.
    Em 2015 venceu o prémio de melhor projeto de fotografia pela Sociedade Portuguesa de Autores e em 2016 foi nomeada ao prémio Novo Banco.
    Pauliana ao longo dos anos tem exposto em vários países, nomeadamente Portugal, Espanha, Itália, Reino Unido, Alemanha, Grécia, EUA, Turquia, China, entre outros. Durante vários anos foi representada pela Galeria 3 + 1 Arte Contemporânea no Chiado e hoje em dia é representada pela Galeria das Salgadeiras em Lisboa. O seu trabalho faz parte de inúmeras coleções privadas e públicas.