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Atras del muro

Stanislas Guigui

Exposições
11 Set 2020 > 31 Out 2020
B-Lounge da U.Minho - Azurém

Na série “Atras del muro”, Stanislas Guigui pretende expor a degradação do ser humano face ao contexto vivido em Bogotá, em consequência da atual guerra civil que tem vindo a devastar o país. Particularmente, foca-se nos indivíduos que já não são vistos como seres humanos, mas como o desperdício da sociedade. O fotógrafo realiza uma homenagem a estes indivíduos ao humanizá-los, destacando as suas personalidades exuberantes e características peculiares.

Os modelos fotográficos representam a diversidade e efemeridade. Alguns são  oriundos de uma classe social dita normal e foram catapultados para uma indigência absoluta (designados os "Neros" do bairro Cartucho). Estes indivíduos aceitaram participar numa sessão fotográfica que foi elevada a um projeto à escala de um desfile internacional de moda.  Foram milhares de modelos e nem todos puderam ser fotografados.  Durante quase uma semana, cerca de 300 sem abrigo, foram fotografados com as suas roupas e tudo o que carregam da sua vivência.  Os seus cheiros, os sentimentos de desespero, as formas violentas e rudes de estar na vida. Apesar de tudo, o fotógrafo observou a beleza destes homens, mulheres e crianças e toda esta realidade foi totalmente captada.

 

Nadine Mesquita Guimarães 

  • Stanislas Guigui

    Fotógrafo francês, nascido em Paris em 1969, membro da Agence VU 'desde 2012. Vive em Marselha. Motivado pelo desejo de explorar os lados sombrios das nossas sociedades, Stanislas Guigui constrói desde 1996 um trabalho fotográfico à volta dos temas sociais da exclusão e dos marginalizados. Questiona, sem moralismo, a nossa capacidade de indignação perante as injustiças criadas pelas nossas próprias estruturas sociais. Em 1996 mudou-se para uma Colômbia marcada pelo conflito armado e fotografou os milhares de sem-abrigo que assombravam as ruas de Bogotá.  Em 2003 é aceite pelos moradores de El Cartucho, o maior "cours des miracles" da América do Sul, onde documentou três anos de condições de vida miseráveis, o tráfico de crack e batalhas com facas. A sua obra fotográfica “El Cartucho”, que culminou na realização de uma longa-metragem, foi premiada na PhotoEspana em 2006. Além deste trabalho documental, Stanislas Guigui produziu “Atras del Muro”, uma série de retratos de habitantes do bairro a posar  literalmente "contra a parede". “Estamos no fim do testemunho, no fim da moralidade. Chegou a hora dos indigentes brincarem com o dispositivo e seu operador (...) Somente aqueles que sabem que vão morrer podem olhar para você assim. Lúcido, um sorriso no canto dos lábios.  Somente os mortos-vivos têm capacidade de encarar e olhar para nós” (François Cheval).  Este trabalho foi publicado pela editora Images Plurielles em 2014. De volta a França, Stanislas Guigui estabeleceu-se em Marselha, onde fotografou os distritos do norte e pintou o retrato dos "Gueules d'OM", integrando a programação da Capital Europeia da Cultura de Marselha.  Ele documenta, entre outros assuntos: a turnê das strippers do Cabaret New Burlesque (Le Chêne, 2011); a extraordinária vida quotidiana do segundo homem mais alto do mundo; os 18 meses em Marselha de uma mãe e filho anão que vieram da Romênia; e assim continua o seu trabalho como uma homenagem aos marginalizados, aos miseráveis e aos boêmios. Exibidos regularmente, os trabalhos de Stanislas Guigui também são apresentados em eventos fotográficos internacionais como Visa pour l'Image (Perpignan, França), PhotoEspagna (Madrid, Espanha), Festival Internacional de Fotografia de Lianzhou (China),  Photokina (Colônia, Alemanha), ImageSingulières (Sète, França) ou o Angkor Photo Festival (Siem Reap, Camboja).