"; logo for MagdalenaMagdalena

Magdalena

Felipe Romero Beltran

Exposições
11 Set 2020 > 31 Out 2020
Casa da Antiga Câmara

O túmulo é um rio. O túmulo é feito de água. O cemitério foi feito para a posteridade; no momento presente, é indefinido, está em constante mudança. O cemitério foi feito para reconhecimento e o rio liquefaz os corpos repetidamente. O corpo lembra-se? Enterrado, mais uma vez terá um nome. Isso implica, dizem-nos, que os vivos se lembrarão constantemente, apesar de não terem memória. Os corpos vivos são aqueles que ficam na margem e veneram os que emergem da água. 

 

O rio Magdalena, em homenagem a Maria Madalena, é o rio mais importante da Colômbia. Tem origem na Cordilheira dos Andes, a uma altitude de 3.650 metros, a partir do qual atravessa o país, percorrendo 1.600 quilómetros antes de afluir no Mar do Caribe. No meio do caminho, na área chamada Magdalena Medio, encontramos banheiras de hidromassagem naturais que trazem pedaços de madeira e outros materiais para a superfície.  Desde o início do conflito armado nos anos sessenta, o rio também vomita corpos de pessoas assassinadas. Guerrilheiros, forças paramilitares e máfias locais atiravam os cadáveres das vítimas no rio Magdalena para eliminar todos os vestígios do que tinha ocorrido. As tensões políticas e o narcotráfico aceleraram uma guerra com mais de duzentos mil mortos.  Os cadáveres que surgiram no rio Magdalena são sinais e metáforas de um conflito que transformou completamente o seu território, condicionando os hábitos e as práticas funerárias dos habitantes da região, na sua maioria pescadores. Cada aparição é seguida pelo mesmo ritual: o corpo é retirado da água, lavado, enterrado e orado como se fosse um membro da família.  O conflito, o cadáver e o rio são os conceitos centrais que estruturam o estudo de caso. O projeto Magdalena explora a aparição dos corpos assassinados, descobertos no rio que lhe dá nome. Uma vez que a sua identidade foi apagada pelo efeito da água, os corpos tornam-se fragmentos indefinidos de memória. 

  • Felipe Romero Beltran