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GILBERT GARCIN - SIMULACRES

Gilbert Garcin

Exposições
13 Set 2019 > 27 Out 2019
Escola de Medicina - Universidade do Minho, Campus de Gualtar

No tempo das imagens virtuais, Gilbert Garcín faz pequenas montagens com quase nada, cola, tesoura, alguns materiais pobres. Multiplica os piscares de olho, desvia as referências. Poder-se-ia pensar que se diverte. Mas é precisamente o contrário: ele representa. É que o Gilbert Garcin é o sujeito e o objeto das suas próprias imagens. Constituirá este desvio um contínuo retorno a si próprio?
Ao travestir-se assim num personagem omnipresente, ao inventar aventuras inverosímeis em decors surrealialistas, o incorrigível bonacheirão continua a rir-se de si mesmo. A fotografia torna-se “a imagem da qual eu sou o herói”, multiplicando os episódios de uma ilusão cómica constantemente renovada. Nestes autorretratos em forma de simulações, o fotógrafo olha o fotógrafo que, possivelmente, faz de conta que é fotógrafo. Neste estanho espelho a realidade parece ausente. Contudo, o observador reconhece-se, herói grandioso e digno de piedade. Prometeu e Sísifo. Este jogo fotográfico - afastamento subtil, ironia leve - traz de volta encanto às nossas vidas fugazes. É o bastante para lhes conferir um sentido.
Em o Barbeiro de Sevilha, O Fígaro justifica o seu bom humor: “Procuro rir-me de tudo, com medo de ser obrigado a chorar”. Pode ser-se sério. Mas sem levar tudo a sério. Com o humor não se brinca. Gilbert Garcín faz fotografia como Fígaro.

Yves Gerbal

 

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